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8 de Março de 2020 - 140.º aniversário da Igreja Lusitana


Saudação do Bispo Diocesano
e
Nota histórica do 1.º Sínodo em 1880

 

«Celebrai com Júbilo ao Senhor» (Salmo 100)

Neste dia celebrativo, fazemos nossas as palavras do Salmista, expressando deste modo, toda a nossa gratidão a Deus pelo muito, de bom e de belo, que o Senhor realizou ao longo do tempo através da Missão da nossa querida Igreja Lusitana.

Atravessando já, três séculos da nossa história, a Missão da Igreja Lusitana tem dado muito e bom fruto. Milhares de vidas de homens e de mulheres foram tocadas e trans-formadas, na ação do Espírito Santo. Muitos outros milhares têm beneficiado do trabalho social e educativo desenvolvido no con-texto de Instituições e paróquias ligadas à Igreja. Temos assim uma tradição muito valiosa e rica de humanidade e testemunho cristão. Pela nossa própria condição de cristãos somos e seremos sempre uma minoria, mas uma minoria que não se demite da sua vocação de ser «sal e luz do mundo». É assim que somos e nos compreendemos enquanto Igreja.

Também hoje, com gratidão e carinho, lembramos e evocamos, os que nos precederam neste caminhar e que já partiram para Deus. Homens e mulheres do povo, gente boa e simples, que assumiu dar corpo a um modo de ser Igreja diferente e alternativo. À luz do seu exemplo, queremos cada vez mais estimular a unidade na diversidade criando condições para a inclusividade dos que se sen-tem excluídos na sociedade. O caminho é como sempre foi desde o início, o de uma Igreja Sinodal, no confronto e respeito por opi-niões diversas que nascem e assentam na consciência legítima de cada um e de cada uma.

Abrimos pois hoje, um tempo celebrativo a decorrer ao longo do ano de 2020. Neste ano em que iremos realizar o 98º Sínodo Dio-cesano, iremos festejar também o 40º aniversário da nossa integra-ção na Comunhão Anglicana. Temos assim bons e fortes motivos para fazer festa, cá dentro e lá fora. Que cada um de nós, que cada membro da Igreja, amigo e simpatizante se sinta chamado a cele-brar com Júbilo ao Senhor. E que o faça de acordo com os seus dons e carismas na ambiência da comunhão da Igreja.

Assim seja!
+Jorge, Bispo Diocesano

 


HÁ 140 ANOS, O PRIMEIRO SÍNODO E A CONSTITUIÇÃO DA IGREJA LUSITANA

Na manhã da segunda-feira 8 de março de 1880 encontraram-se num primeiro andar do número 48 da Travessa do Marquês de Sampaio, em Lisboa, com a gravidade e formalismo exigidos pelo momento, cinco clérigos e três leigos. O seu propósito? Fundar uma nova igreja «nacional e independente», a Igreja Lusitana.

Essas personalidades representavam três comunidades estabeleci-das em Lisboa que há algum tempo se tinham associado na desig-nada Igreja Episcopal Reformada Portuguesa. Constituíam esta organização, embrião da Igreja Lusitana, três congregações funda-das por padres católicos que se haviam separado da comunhão romana: o padre João Joaquim da Costa Almeida (1825-1897) or-ganizara em 1876 a congregação da Santíssima Trindade na sua quinta de Rio de Mouro (Sintra); o Rev. Manuel António Pereira Júnior (18?-1905) tinha estabelecido na Rua da Moeda, Lisboa, a congregação de São Paulo; e por fim o padre José Nunes Chaves (1828-1893) dirigia na Rua de São Marçal, na mesma cidade, a designada igreja de Jesus.

Por trás destes clérigos, estavam outros dois fundadores da Igreja Lusitana, o Rev. Angel Herreros de Mora (1815-1876), um padre católico espanhol recebido na Igreja Episcopal dos EUA e que desde 1868 organizara uma congregação episcopal em Lisboa, entretanto reconhecida legalmente como Igreja Evangélica Espa-nhola; e o Rev. Cónego Thomas Pope (1837-1902), capelão britâ-nico de Lisboa, um irlandês de grande capacidade organizativa, doutor em Teologia, que estabelecera em Dublin uma sociedade missionária para apoiar os esforços de reforma religiosa na penín-sula ibérica.

Nesse dia 8 de março o sínodo reuniu Thomas Pope, os padres Costa Almeida e Nunes Chaves, o rev. Cândido Joaquim de Sousa (1853-1905), que substituíra Pereira Júnior em «São Paulo», e três leigos em representação das comunidades de Lisboa e Sintra, José Gregório Baudoin, Francisco Rodrigues Lobo e João Gualberto de Araújo Veloso. Para formalmente presidir a este sínodo fundador, o arcebispo de Cantuária, em resposta ao pedido das igrejas de Portugal e Espanha, convidou um bispo hispano-americano, Henry Chauncey Riley (1835-1904), recentemente sagrado pela Igreja Episcopal dos EUA como primeiro bispo da igreja episcopal in-dependente que então se organizava no México.

No sínodo, que teria ainda outras sessões em 1880, a Igreja Lusi-tana Católica Apostólica Evangélica declarou formalmente a sua adesão aos princípios anglicanos pela adoção da maior parte dos 39 Artigos de Fé da Igreja de Inglaterra, aprovou um regulamento interno e colocou-se sob a jurisdição canónica de um conselho de bispos anglicanos. Ainda nesse ano, juntaram-se às congregações fundadoras a antiga Igreja Evangélica Espanhola de Herreros de Mora – entretanto rebatizada como de São Pedro – e a igreja do Torne (Vila Nova de Gaia), liderada por Diogo Cassels.


O rev. Angel Herreros de Mora, o cónego Thomas Pope e o bispo Henry Riley, figuras fundadoras da Igreja Lusitana

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