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As parábolas e os bens materiais - Uma proposta para a Quaresma 2014

AS PARÁBOLAS E OS BENS MATERIAIS
Sobre economia e um correcto relacionamento com o dinheiro

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Uma proposta para a Quaresma 2014 da Comissão Ecuménica «Igrejas juntas na Grã-Bretanha e na Irlanda» (CTBI) editado para Português pelo Instituto Anglicano de Estudos Teológicos da Igreja Lusitana.

O programa para a Quaresma 2014 que se apresenta foi preparado pela Igreja da Escócia [KIRK] no âmbito da Comissão Ecuménica «Churches Together in Britain and Ireland» (CTBI). Este programa é oferecido como material de estudo e discussão aos cristãos de todas as tradições. Seguindo este propósito, e no âmbito das suas competências, o Instituto Anglicano de Estudos Teológicos (IAET) entendeu ser útil traduzir o texto original e colocá-lo à disposição das Igrejas e cristãos em Portugal.

A crise do crédito, a crise financeira e o impacto da recessão que se lhes seguiu a nível Europeu são o pano de fundo para um aprofundamento bíblico comprometido da profunda relação existente entre a fé e os assuntos e temas de natureza económica e material tão presentes no dia-a-dia de cada pessoa, comunidade, Igrejas e sociedade. No contexto da tradição do tempo Quaresmal com os seus fortes valores e princípios de sacrifício, solidariedade, renúncia e auto-exame, o propósito é o desenvolvimento de um estilo de vida cristão gerador de novas formas de estar e de viver principalmente ao nível da relação com o dinheiro e os bens materiais.
 
A proposta aqui fica com o desejo forte de que este caminho a todos possa ajudar na vivência de uma prática cristã mais comprometida e geradora de mudança e de sentido. O IAET agradece a colaboração da Drª Joana de Pina Cabral na tradução e adaptação para Português dos textos originais.

INTRODUÇÃO

A Bíblia fala-nos mais sobre dinheiro, economia e formas de ganhar a vida do que sobre qualquer outro assunto. Torna, pois, claro que Deus quer que tenhamos uma relação correcta com o dinheiro e isso ajudar-nos-á na nossa procura da relação correcta com Deus.
Temos, no nosso dia-a-dia, que tomar imensas decisões. Muitas, senão a maior parte, têm inerentes uma dimensão relativa ao dinheiro, quer digam respeito à nossa família, à nossa comunidade ou ao nosso país. É vital que tomemos decisões cujo impacto seja o melhor para aqueles que nos rodeiam (incluindo nós próprios). A experiência diz-nos que nem sempre temos sido bons nisto.
Nos últimos anos, parece que temos virado as costas a algumas maneiras tradicionais de gerir as finanças em prol dos outros, que nem sempre são as melhores para os nossos interesses, os das nossas famílias, os das nossas comunidades, os dos nossos países e até os do nosso planeta. Muitos de nós não hesitámos em contrair grandes dívidas de forma a satisfazer o nosso desejo de uma vida “melhor”. Levantam-se também questões sobre as decisões dos governos sobre a despesa.
 
Viver sob o tipo de pressões financeiras a que nos sujeitámos pode ter efeitos muitos sérios sobre a nossa saúde mental bem como sobre a nossa saúde económica. Uma relação correcta com o dinheiro é necessária para uma saudável relação pessoal com a prosperidade.
A quaresma tem sido associada com sacrifício, de abstermo-nos de um luxo ou prazer ou assumirmos uma nova responsabilidade sacrificial durante um breve período de tempo. Neste curso somos convidados a colocar de parte qualquer indolência (e com isto queremos dizer apatia e cansaço mundano) em torno da economia pessoal que é por vezes o resultado de um sentimento de impotência. Somos encorajados a ser mais exigentes em relação àqueles nos quais depositamos a nossa confiança. Somos desafiados a identificar quais os melhores interesses dos nossos vizinhos, em especial os fracos e os marginalizados.

Como usar este programa

«As Parábolas e os bens materiais»está dividido em 6 sessões, para os 6 Domingos da Quaresma ou 6 semanas da Quaresma, terminando no Domingo de Ramos. Pode ser usado individualmente, em congregações locais ou em grupos.
Foca uma Parábola diferente em cada sessão. Cada Parábola é precedida de uma reflexão quaresmal. Embora escrito como um Percurso Quaresmal, pode ser utilizado em qualquer outra altura ou ser individualizado, usando-se uma sessão por si só se quisermos aprofundar uma Parábola ou um tema em particular.

Os materiais

Cada semana inclui materiais para reflexão, comentários sobre uma parábola de Jesus, uma citação para que possam ser desencadeadas reacções, algumas perguntas e uma oração. É também incluída uma sugestão de aplicação na nossa vida, uma acção prática que nos permita expressar o discipulado cristão no mundo.
 
Sois convidados a utilizar estes materiais com um ponto de partida; são concisos e flexíveis. Pensem no que poderá ser útil no vosso próprio contexto, ou acrescentem outras ideias e recursos. Para ajudar o coordenador dos encontros a prepará-los fizemos um breve resumo de alguns pontos-chave e ideias no início de cada sessão.


SEMANA 1: Tentação 

Discussão: Um Evangelho propenso aos pobres

Nesta sessão esperamos reflectir sobre duas tentações contrastantes que Jesus enfrentou em todo o seu ministério: a tentação de falar e a tentação de permanecer calado. Com a Parábola do Semeador encorajamos-vos a pensar sobre a facilidade com que permitimos que a alegria de seguir a Jesus seja escorraçada das nossas vidas.

Reflexão

Jesus ensinou os seus discípulos a orar ; “Não nos deixes cair em tentação”.
Jesus compreendeu a tentação. Enfrentou pelo menos duas durante o seu ministério. Foi tentado a falar e foi tentado a ficar em silêncio.
No deserto o diabo ofereceu a Jesus todos os reinos do mundo se Ele simplesmente conspirasse silenciosamente na ilusão de colocar o diabo acima de Deus. Jesus foi testado; deveria Ele permanecer em silêncio e deixar a falsidade e o mal passar em branco?
Em contraste, Jesus ficou em silêncio durante a maior parte do seu julgamento perante Pilatos. Poderia ter salvo a sua própria vida se tivesse dito as palavras que Pilatos queria ouvir. Palavras reconhecendo o poder e a autoridade de Pilatos. Jesus foi testado; deveria Ele ter dito as palavras cúmplices optando pela solução fácil e segura?
 
A tentação foi uma experiência real de Jesus.
Quando Jesus ensina os seus seguidores a orar “Não nos deixes cair em tentação”, Ele reza para que nós questionemos qualquer sistema que adore a riqueza e os bens através da religião do consumismo. Ele está a rezar para que nós persigamos objectivos de paz e justiça para todos e em especial para aqueles menos capacitados para os perseguir por si próprios. Reza para que tenhamos a coragem de recusar mantermo-nos seguros, a nós e aos nossos estilos de vida, permitindo que outros enfrentem sós os perigos deste mundo. Reza para que saibamos quando falar e quando orar em silêncio.

Tudo o que é necessário ao triunfo do mal
é que os homens bons nada façam.
(frase atribuída a Edmund Burke, um filósofo e político irlandês do Sec XVIII)

Leitura de Mateus 13, 1-23 – A Parábola do Semeador

Jesus falou em parábolas. Encorajou a fé e desafiou a complacência com histórias que tinham múltiplos níveis de significados para aqueles com ouvidos para ouvir. A Parábola do Semeador é uma narrativa optimista de como Deus trabalha para implementar o Reino. Embora alguns ouvintes possam ser tentados a desesperar pois o Reino de Deus nunca mais desponta para transformar as suas vidas, o Semeador espalha confiança à medida que lança sementes em terra boa e em terra má indiscriminadamente. O Semeador sabe, e os ouvintes sabem, que o trabalho de lavrar a semente, feito preferencialmente depois da sementeira e não antes, acabará a tarefa e dará maiores possibilidades de uma colheita abundante.
Mateus relata esta história a uma igreja que enfrenta desafios e tentações. A semente é agora “a Boa Nova” e uma tentação a ser evitada é a “ilusão das riquezas” que pode “sufocar a Boa Nova” (versículo 22).
 
Note-se que Mateus não sugere que os bens materiais sejam por si próprios maus ou necessariamente prejudiciais para os cristãos. O aviso não é que a Boa Nova de Deus foi rejeitada pelos seguidores de Jesus em favor do materialismo, mas que, como a semente, ela é facilmente sufocada por outras preocupações e apetites.
Na sociedade, hoje, há um acesso sem precedentes a “coisas”, coisas essas que parecem aglomerar-se e assumir o controlo das nossas vidas e interesses. A nossa sociedade diz-nos que se queremos ser verdadeiramente felizes temos de possuir bens luxuosos. Uma revista de bordo de uma grande companhia aérea tem uma secção de itens “Lust-Have” [trocadilho que em inglês mistura “luxo” (lux), “necessidade”(must) e “ter” (to have)], e um grande armazém usa o slogan “vida feita fabulosa”. No entretanto, há uma crescente desigualdade no nosso mundo; alguns gozam de montantes consideráveis de rendimento disponível enquanto muitos outros simplesmente lutam por sobreviver.
 
Jesus proclama que a vida que vale a pena viver é a que recebe a Boa Nova de Deus como o bom solo recebe a semente. Uma vida feliz é aquela em que as raízes da Boa Nova de Deus se desenvolveram profundamente. As tentações podem vir, e virão, mas não cortarão tão fundo que destruam essas raízes. Como seus seguidores nós procuramos a graça de sermos bom solo. Então, com Jesus, poderemos antecipar uma colheita dos frutos muito maior do que a que seria expectável pelas sementes lançadas.

Vai e faz o mesmo: o que significa para nós hoje

As Igrejas têm um interesse especial em falar na pobreza. As advertências bíblicas dos profetas e o exemplo de Jesus ensinam-nos que a voz dos vulneráveis e dos desprivilegiados tem de ser ouvida pelos ricos e poderosos.
Hoje existem muitos mitos amplamente difundidos sobre a pobreza e as suas causas. Estes mitos são convenientes para os políticos e a comunicação social, pois permitem culpabilizar os que vivem na pobreza pela sua situação, permitindo ao resto da sociedade não ter de se responsabilizar pela sua condição. Mitos sobre as falhas pessoais de toda uma secção da sociedade criam estigmas e uma cultura de vergonha e crítica: por serem ociosos, irresponsáveis, “pedintes profissionais”, vigaristas, toxicodependentes e por aí adiante. O que nos está a faltar é qualquer um dos princípios bíblicos de cuidar, aprender, servir e amar. Estes mitos, comumente sustentados pela opinião púbica e também pelos frequentadores das igrejas, ignoram a evidência e as estatísticas, bem como as razões sistémicas da desigualdade social e económica e de como estão ligadas à saúde, à educação e ao desemprego.
 
A pobreza não é só uma razão para a caridade, mas é uma injustiça que grita por correcção. Um ponto de partida será os líderes, na política, na sociedade e na Igreja, falarem alto e subirem o nível do debate público sobre pobreza e injustiça. De outro modo, os mitos e mentiras sobre a pobreza, tal como as sementes na parábola, tornar-se-ão a verdade. “Assim a justiça retrocede, e a rectidão fica à distância, pois a verdade caiu na praça e a honestidade não consegue entrar.” (Isaías 59,14)
 
“Rejeita os valores e a falsa moralidade que sustentam estas atitudes. Uma corrida de ratos é para ratos. Nós não somos ratos. Somos seres humanos. Rejeita as pressões insidiosas da sociedade que enfraquecem as tuas faculdades críticas para o que está a suceder à tua volta, que caucionam o silêncio face à injustiça para que não coloques em risco as suas chances de expansão e autopromoção. É assim que tudo isto começa e, antes que te dês conta, serás um membro totalmente integrado na “corrida de ratos”. O preço é muito alto. Implica a perda da tua dignidade e espírito humano. Ou como é colocado por Cristo “Que proveito tem um homem em ganhar o mundo inteiro e sofrer a perda da sua alma?”
(Jimmy Reid, comerciante escocês, sindicalista e político)

Questões

1.   Quão importante é orarmos por sabedoria para sabermos quando devemos falar ou quando devemos estar calados?
2.   Estigmatizar pessoas que vivem na pobreza está a tornar-se cada vez mais um lugar-comum. Os jornais que todos nós lemos apresentam muitas vezes meias-verdades e mitos sobre as causas e os efeitos da pobreza. Como fala o Evangelho de Cristo contra esta demonização ou, em alternativa, permanece em silêncio?
3.   “Falar a verdade ao poder” é uma frase do movimento Quaker com origem no séc. XVIII. Em termos gerais, “poder” significa três coisas: importantes fazedores de opinião, de valores da sociedade/ motivação cultural ou pessoal/desafio. Que significado tem, para ti, hoje, a frase “Falar a verdade ao poder”?
4.   Se tivesses de rever a forma como gastas o teu dinheiro à luz da Parábola do Semeador, poderias ou quererias fazer alguma alteração?

Acção

Ler os documentos da Comissão Nacional Justiça e Paz dedicados à reflexão sobre a Pobreza e a Crise em Portugal – exº Documento «Vencer a Crise e Construir Portugal».

Oração

Jesus, encontra-nos no silêncio,
no lugar para além da conversa e da desordem,
um deserto do outro lado da tentação de nos satisfazermos a baixo custo.
Aí, abençoa-nos com a sabedoria para recebermos riquezas reais e com a visão para vermos o que podemos partilhar. Ámen.


SEMANA 2: Traição

Discussão: Valores cristãos distintivos

Nesta sessão esperamos reflectir sobre os valores que nos formam a cada um como indivíduo, à nossa fé e à nossa comunidade de Igreja. Às vezes traímos os princípios e prioridades fundamentais que nos fazem ser quem somos. A Parábola dos Rendeiros Criminosos é um aviso intencional dirigido aos líderes religiosos do tempo de Jesus e um desafio para todos nós.

Reflexão

Trair a lealdade é uma agonia.
Muito antes do beijo dado por Judas no Jardim das Oliveiras, a Bíblia conta-nos que Jesus foi mal compreendido e deturpado. Os mais próximos de Jesus deixaram-no ficar muitas vezes mal, em querelas pelo seu próprio prestígio. Outros, parecendo interessados no que Ele tinha a dizer, tentaram lançar-Lhe armadilhas com perguntas que podiam levá-Lo a ser condenado por blasfémia. Nos últimos dias da Sua vida, a multidão em Jerusalém aclamou-O no início da semana mas pediu a Sua execução no final da semana.
A traição é uma experiência que muitos de nós conhecemos.
As crianças no recreio da escola aprendem a raiva e a dor causadas quando um amigo faz qualquer coisa que mostra que a nossa confiança nele foi mal depositada. Aprendem também o desconfortável sentimento de ter deixado ficar mal um amigo.
Quando colocamos as nossas necessidades, desejos ou medos acima do bem-estar dos nossos amigos podemos estar a trair a confiança que depositaram em nós.
 
A infidelidade faz parte da vida, mas à medida que crescemos em sabedoria aprendemos a perdoar, a nós próprios e aos outros, muitos desses delitos tanto grandes como pequenos. À medida que envelhecemos, e a vida, a luz e as trevas, vão-nos tornando mais experientes, também a nossa crescente sabedoria nos permite ir aguentando e aprendendo. Apesar da traição ser sempre indesejada, com o tempo, a abertura à graça pode ser pelo menos parcialmente direccionada para que produza bons frutos: auto-conhecimento, auto-compreensão e empatia.
Algumas traições acabam por ter um tão longo alcance que afectam e mudam a vida de todos os que a experienciaram. A crise bancária dos últimos anos afectou praticamente todas as nações do mundo. Talvez possamos procurar caminhos através dos quais, como indivíduos e como comunidade de fé, possamos fazer desta traição uma aliada do bem.
 
Quando Judas traiu Jesus vendeu-se a um sistema que procurava destruir o seu Mestre. No entanto se nos demorarmos com Jesus no Jardim da Oliveiras podemos vislumbrar como Ele orava no sentido de transformar esta desesperada e amarga traição numa aliada. Sabendo da traição, Jesus continua a tratar Judas como “amigo”. Nós também podemos vislumbrar e orar pela graça de conseguir retirar o bem da maldade e do medo. Nas nossas vidas, com tantas traições, nossas e dos outros, somos convidados a rezar pela graça da transformação dessas ofensas em aliadas do reino do amor.

Leitura de Mateus 21,33-46 – A Parábola dos Rendeiros Criminosos

Muitas das histórias de Jesus são muito duras; as suas parábolas podem conter mensagens contundentes sobre o que fazemos com as responsabilidades que Deus nos deu. E algumas das Suas palavras mais duras foram dirigidas àqueles que, como os líderes religiosos, tinham mais obrigação de saber a verdade.
A história nesta passagem é um destes exemplos, e o Seu objectivo foi atingido, como pode ver-se pela vontade dos chefes dos sacerdotes e dos fariseus em prendê-Lo (versículo 46).
O proprietário gostava e preocupava-se com a vinha, pois ele investiu o seu tempo e esforços plantando, construindo vedações, um lagar e uma casa de guarda. Tal como a vinha na parábola foi confiada a camponeses, também Deus confiou o bem estar da sociedade aos seus líderes.
 
Na parábola chegou o tempo do proprietário receber o que lhe era devido daqueles a quem confiou os seus bens. Era uma expectativa razoável, mas não foi bem recebida pelos seus inquilinos! A sua resposta inicial foi espancar, apedrejar e matar aqueles que foram mandados como mensageiros. Rapidamente sentiram a coragem de ir mais longe. Quando o filho do proprietário foi enviado para receber as rendas os camponeses assumiram que o pai estaria morto. Então arquitectaram um plano para matar o seu herdeiro e dividirem a herança entre eles. Desta maneira, toda a maçada do negócio de terem de pagar renda e preocuparem-se em cuidar dos bens de outra pessoa seria contornada, pois finalmente mandariam eles.
Nós somos mordomos não só dos bens físicos que apelidamos de nossos, mas também da Boa Nova do Reino. Esta parábola originada em Deus Criador, foi-nos trazida por Cristo e confiada a todos nós pelo Espírito Santo. Tornarmo-nos donos do Reino não é uma opção que nos seja dada, tal como também não foi uma opção para os líderes religiosos do tempo de Jesus. Tudo o que nos é pedido é que cuidemos fielmente da vinha.

Vai e faz o mesmo: o que significa para nós hoje ?

É justo que se diga que a maioria de nós fomos educados a ter valores, apesar de às vezes estes não serem muito claros, quer na forma como nos foram transmitidos quer na forma como os apreendemos.
O valor chave para os Cristãos, bem como para outros grupos religiosos, é tratar as outras pessoas tal como gostamos de ser tratados. A universalidade deste princípio através das várias tradições religiosas fez com que muitas vezes seja apelidado de Regra de Ouro.
Se olharmos para a forma como a nossa sociedade foi alterada no decorrer da última geração podemos tomar consciência de que enormes mudanças tiveram lugar. Muitos dos valores que aprendemos anos atrás foram totalmente esquecidos ou mesmo virados do avesso. Em alguns casos este desenvolvimento foi totalmente apropriado; a Regra de Ouro foi respeitada. No entanto na procura de objectivos materiais podemos trair a Regra de Ouro, prejudicando-nos a nós e aos outros.
 
Estudos e comparações internacionais sugerem que as sociedades com maior disparidade de riqueza também têm mais problemas com álcool, drogas, crime e níveis menores de bem estar em comparação com outras mais igualitárias. (O livro “O Espírito da Igualdade – Porque razão sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor” de Richard Wilkinson e Kate Pickett, trata deste assunto [publicado em português pela Editorial Presença em Abril de 2010]). O stress emocional é muitas vezes uma consequência deste estilo de vida, colocando o equilíbrio entre trabalho e vida ainda mais fora dos eixos.
À medida que procuramos aquilo que pensamos querer (melhores estilos de vida) perdemos muito daquilo que já tínhamos, uma vida familiar boa, amigos e um verdadeiro sentido de comunidade. Na procura daquilo que pensamos trazer-nos a felicidade nós, na realidade, estamos a perder o que já temos.
 
“[Os sapatos] são sinais de auto estima, de como alguém é julgado e do seu papel na sociedade… [os pais]…chegarão a poupar na comida e contrairão dívidas para comprar aos seus filhos os símbolos certos para evitar que possam sentir-se excluídos e estigmatizados… se as pessoas se focalizam em fazer dinheiro e subir na vida sacrificam muitas vezes as suas relações intimas e familiares e o seu envolvimento na comunidade.”
(Carol Craig, directora do Centro para a Confiança e Bem estar, com sede em Glasgow)

Questões

1.   Quais os valores que, enquanto crescíamos, tinham as nossas famílias e/ou comunidade?
2.   Como ressoam ainda nas nossas vidas hoje os valores que aprendemos enquanto jovens?
3.   Porque é que tanta gente na nossa cultura actual parece querer sempre mais e mais, quando sabemos que isso não as tornará mais felizes ou saudáveis?
4.   David Myers, um professor de Psicologia no Hope College no Michigan, diz “a felicidade é menos uma questão de conseguir o que queremos do que querer o que temos”. Quais as coisas que temos que nos fazem felizes? Como reflecte isto os nossos valores?
5.   O que adquirimos no decorrer dos anos que nos torna mais infelizes ou nos dá problemas?

Acção

Giles Fraser, um padre anglicano, escreveu que o documento mais moral que possuímos é o nosso extracto bancário, pois regista aquilo que realmente valorizamos: como gastamos o nosso tempo, como ganhamos o nosso dinheiro, em que o gastamos. Podemos fazer o mesmo com o orçamento de uma Igreja. Olhemos para o nosso extracto bancário e/ou para o orçamento da nossa Igreja. Estão os nossos valores cristãos reflectidos naquilo que consideramos valioso?

Oração

Jesus, encontra-nos na vinha,
no lugar para lá dos nossos altos muros,
onde crescem os frutos numa terra fértil produzindo as melhores uvas para fazerem o melhor vinho.
Aí, abençoa-nos com integridade para reconhecermos os tempos de traição.
Fortalece-nos para aceitarmos a Tua amizade e assim podermos não desperdiçar os nossos frutos. Ámen.
 


SEMANA 3: Perdão

Discussão: Perdoar obrigações e o bem comum

Nesta sessão esperamos reflectir sobre a natureza do perdão. Este pode ser o perdão de delitos, ou pecados, ou dívidas. Com a Parábola do Filho Pródigo e do seu irmão encorajamos-vos a pensar naquilo que, enquanto sociedade, fazemos quando os nossos concidadãos não conseguem pagar as suas dívidas para connosco.

Reflexão

Jesus disse: “perdoa e serás perdoado”.
Jesus disse na cruz: “Pai, perdoa-os, que não sabem o que fazem!”.
Os seus executores não faziam ideia de quem estavam a matar. Não reconheceram que Jesus foi enviado por Deus. Não conseguiam conceber a vida que Deus nos oferece através de Jesus, nem compreenderam a verdadeira natureza do pecado e consequentemente o verdadeiro potencial do perdão.
E nós?
O nosso pecado não está em desafiarmos as regras da pureza ou da moralidade. Nem mesmo está na conspiração com a ganância e o interesse próprio em política ou na economia. Está no nosso auto convencimento de que enquanto formos correctos e uns cidadãos honestos somos os legítimos governantes da vida.
 
Neste orgulho presumimos ser os melhores juízes daquilo que é bom, para nós e para o nosso próximo. Justificamos o nosso julgamento mesmo quando é provado que este está desastrosamente errado.
Trabalhadores perdem o emprego e crianças bebem água inquinada ou engasgam-se com a poluição atmosférica enquanto outros ganham quantidades de dinheiro de que não precisam nem podem esperar gastar em vida. E muitos milhões fecham os olhos à idolatria dessas elites, a fim de disfrutarem da sua própria soberania limitada sobre as suas vidas. A nossa capacidade de tomar decisões, de inventar soluções e de colher as riquezas da terra só serve para reforçar o nosso egoísmo.
Jesus ensinou que uma vontade livre e criadora não é um direito mas um dom. A graça de Deus liberta-nos do nosso pecado de nos colocarmos no centro da vida. O perdão de Deus liberta-nos para que possamos ter um novo começo, e restaura os relacionamentos.

Leitura de Lucas 15,11-32 – A Parábola do Filho Pródigo e do seu irmão

O contexto e o foco da parábola dos dois irmãos que trabalham para o seu pai são os relacionamentos. Jesus contou-a a uma audiência com experiências religiosas e perspectivas contrastantes. Sabemos que os fariseus estavam lá (Lucas 15,2), aqueles que cumpriam cuidadosamente à letra a lei, e que não tinham nenhum sentimento de estarem perdidos, de se terem desviado da verdade, e por isso não precisavam de salvação nem de perdão. São representados na história pelo irmão mais velho: sólido, de confiança, trabalhador árduo e diligente.
Também entre a multidão se encontravam aqueles que claramente viam a sua necessidade de salvação; os “cobradores de impostos e outras pessoas de má fama” (Lucas 15,1). Por estarem muito conscientes da pressão social e da vergonha individual, estas pessoas sabiam qual o papel delas na história: eles eram o irmão desobediente, devasso e dissoluto.
Não teria surpreendido ninguém na audiência se a moral da história tivesse sido que o bom comportamento é justificado e recompensado, enquanto os que se portam irresponsavelmente sofrem as justas consequências.
 
Jesus, no entanto, tem outras ideias. As acções do filho mais novo não são julgadas, mas em vez disso o seu arrependimento e transformação são recebidos de braços abertos, cheios de graça e amor e salvação. O filho compreendeu o seu erro e passou de dizer “Pai, dá-me” (versículo12) para “Pai, perdoa-me” (versículo 21).
Também nós poderemos precisar de sair da ignorância da necessidade de perdão, representada pelo irmão mais velho de coração duro, para uma humilde e realista compreensão da nossa posição. Só quando entendemos a nossa própria necessidade de sermos perdoados somos capazes de ter uma relação honesta e compassiva com outros em necessidade semelhante.
Em resposta à pergunta de Pedro sobre quantas vezes devemos perdoar, Jesus contou outra parábola. Em Mateus 18,23-35, lemos sobre um servo a quem foi perdoada pelo seu senhor uma enorme dívida, mas depois falhou ao não mostrar compaixão por um colega que lhe devia um montante muito menor. Em conclusão, Jesus deixa claro que para estarmos em correcta relação com Deus e com os outros não precisamos somente de perdoar, mas de perdoar “com o coração” (Mateus 18,35)
Vai e faz o mesmo: o que significa para nós hoje
 
Uma das versões/traduções do “Pai Nosso”, usa as expressões “perdoas as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.”. Quando pensamos em dinheiro e economia, focalizando-nos nas dívidas e obrigações esta versão pode ser útil. Estes termos encorajam-nos a considerar efeitos tangíveis e consequentes. Se conseguíssemos perdoar aos outros as suas obrigações para connosco começaríamos a construir um mundo muito mais justo.
Nos últimos 30 anos o fosso de separação entre ricos e pobres neste mundo aumentou. Os pobres não podem ficar, em termos absolutos, sempre cada vez mais pobres, mas em relação com os ricos certamente que o estão. Isto tem sido especialmente visível na Europa. Alguns poderão argumentar que isto é simplesmente um reflexo da forma como o nosso sistema económico funciona e que não tem real importância.
 
Há questões maiores sobre este assunto. Não menor é a obrigação de tomar conta dos pobres que estão cada vez mais pobres. Uns argumentam que isto é resultado da política governamental. Outros dizem que isto é o necessário resultado da forma como vivemos as nossas vidas no passado. As nossas dívidas financeiras, que não parece que ninguém queira perdoar, têm de ser reduzidas e a consequência é que há menos dinheiro para o governo gastar. O que muitos nas igrejas consideram incompreensível e difícil é que muita desta carga está a cair sobre os pobres.
 
Claro que a pobreza assume muitas formas. Muitos dos nossos jovens estão a ser afectados pela pobreza da aspiração. Não conseguem ver um caminho à sua frente e raras vezes são encorajados para o procurarem. Outros são afectados pela falta de oportunidades de emprego ou falta de ofertas de formação. A Comissão para a Verdade sobre a Pobreza da Escócia adoptou o seguinte slogan “Nada sobre nós sem nós é para nós”, expressando a preocupação de que a exclusão do debate e da decisão contribui para a pobreza do poder e da auto determinação.

Questões

1.   O que causou as actuais dificuldades económicas e financeiras? Como é que a nossa acção, ou inacção, contribui para a situação?
2.   Estamos a deixar uma carga ao futuro pois outros terão de pagar a nossa dívida. Como poderemos procurar o seu perdão?
3.   Porque parecemos preparados para viver numa sociedade onde muitos dos nossos vizinhos estão preocupados com problemas de dívidas?
4.   A resposta dos governos nacionais ao crash financeiro foi tentar reduzir a despesa pública. Como podem as igrejas assegurar que as mudanças são justas e que os governos sejam responsabilizados?
5.   Se tivermos de emprestar, ou pedir emprestado, a membros da nossa família, como poderá mudar o nosso relacionamento?

Acção

Reservemos algum tempo para escrever as obrigações que temos para com os outros, e as obrigações que os outros têm para connosco. Se alguém nos causou um prejuízo, que nos magoou ou causou uma perda, ou teve uma atitude que consideramos injusta, que processo de perdão experienciamos? Demos um passo no caminho do perdão para melhorarmos o nosso relacionamento com o nosso próximo.

Oração

Jesus, encontra-nos
no lugar onde a dignidade e o decoro são esquecidos,
numa casa onde nos observas e esperas a nossa chegada.
Aí, abençoa-nos com o perdão de um abraço que não mais nos deixará e uma celebração em que todos possam ver que vale a pena amar-nos apesar dos nossos erros.
Jesus, encontra-nos à porta da festa,
no lugar onde a dor e a inveja são abundantes, onde o amor fraternal parece cheio de farpas e a amargura é o sabor que temos na boca.
Aí, abençoa-nos com o perdão em palavras gentis que suavizem o nosso coração e nos persuadam à festa com a certeza de sermos amados no nosso âmago. Ámen.
 


SEMANA 4: Ridículo

Discussão: Uma parte ou à parte do mundo?

Nesta sessão esperamos reflectir sobre o ridículo sofrido por Jesus após a sua prisão. Com a Parábola do Rico Louco encorajamos-vos a considerar como ser pobre na Europa do Século 21 traz mais ridículo que simpatia. E como a Igreja, proclamando em voz profética a visão da Nova Jerusalém, que o mundo pode ser um lugar diferente, é muitas vezes afastada como irrelevante pelos poderosos e por interesses escondidos.

Reflexão

Então veio para isto.
Jesus está sozinho.
Espancado e silencioso frente a uma multidão fervilhante.
A coroa de espinho faz a Sua cabeça latejar e cega-O com o sangue. A visão de pele açoitada em pedaços parece só provocar o ridículo e a condenação entre os que se reuniram para participar nesta humilhação.
Quem são eles? Fortes e fracos, estrangeiros e locais, os bons, os maus e os apáticos. Possuídos pelo desespero e encontrando alívio temporário no grito: “Crucifica-o!”
A maioria nem saberá quem Ele é, de que crime está acusado, e muito menos se é culpado ou não; é pelo menos suficientemente tolo para ser preso por um regime político impiedoso. Mas este homem ser mau ou ingénuo ou simplesmente azarado não tem nenhuma consequência para a multidão.
Ei-Lo de pé, sem amigos, sem esperança, sem desculpas.
 
Jesus entende e sempre entendeu. Esta fúria mascara um medo intenso; o stress traumático prolongado de um povo oprimido que experimenta o ridículo diariamente e tem de aguentar silencioso e espancado. Jesus está consciente da maré de ódio que se eleva como uma onda na multidão e desaba sobre Ele, e sabe porquê.
Homens e mulheres ridicularizam o que temem. Talvez a mais desafiadora imagem da Paixão de Cristo é o exemplo que dá de quem insiste na integridade do amor face à deturpação e ao escárnio violentos.
Jesus estásozinho.
 
Ele está sozinho à mesa de políticos e funcionários públicos, diplomatas e assessores especializados; os decisores da nossa sociedade a trabalharem. Eles tomam decisões sobre a dívida do terceiro mundo, sobre o sistema de segurança social, sobre estratégias económicas e sobre planos de recuperação. Como pode Jesus provocar o ridículo nesta situação? Que medos poderia Ele expor naqueles com poder?
Enquanto a multidão se reúne para gritar: “Fora com ele!” onde estamos nós?

Parábola

Leitura de Lucas 12,13-34 – A Parábola do Rico Louco

Esta parábola enfatiza alguns dos problemas que os ricos têm de enfrentar. O homem da história pensa nele próprio e nas coisas deste mundo. Mas esquece-se de Deus e daqueles que à volta dele se encontram sem dúvida em necessidades, e que seriam altamente beneficiados se ele pelo menos repartisse a sua prosperidade.
Na nossa sociedade não são os ricos que são ridicularizados, mas os pobres. Imaginem o oposto do Rico Louco no nosso tempo. Talvez um pai poupado que precisa de largar o lar para garantir que os seus filhos tenham livros escolares e possam celebrar o Natal? E, no entanto, a nossa cultura não honra esses pais, são, pelo contrário, acusados de causarem o deficit pelo elevado grau de dependência da segurança social. Deviam era arranjar um emprego e poupar para o futuro…
 
Para muitas pessoas, a busca de bens materiais é tudo quanto existe. Nadar contra o consumismo pode ser um convite à rejeição e ao ridículo.
A abundância de riqueza e de bens não é por si só uma coisa moralmente errada. Paulo é muitas vezes mal interpretado; na sua carta a Timóteo não diz que o “dinheiro” é a raiz de todos os tipos de mal, mas sim “a ganância do dinheiro” (I Timóteo 6,10). O importante em relação aos bens não está em termos muitos ou poucos, mas na nossa relação com eles.
Há óbvias lições práticas em demonstrar generosidade em tudo o que podermos. Além de ajudar os outros, podemos reavaliar o nosso próprio relacionamento com os bens e o dinheiro.
Pelo nosso testemunho comum e exemplo, podemos partilhar alguns dos elementos da nossa fé que produzem benefícios espirituais. Amor e perdão, não a riqueza, são o coração da fé cristã.
 
Como podemos, então, assegurar que o nosso relacionamento com os nossos bens não é só satisfatório, mas é óptimo, perfeito, o certo? Como manter-nos parte do mundo, mas não estarmos agarrados ao dinheiro e de certeza não sermos dirigidos por ele? Estarmos conscientes da sua natureza transitória e insatisfatória finalidade é talvez um bom passo para começarmos. A consciência do potencial mal que os bens podem provocar nas nossas relações com os outros e com Deus é também útil.
Mas ser tão contra-cultura é um convite ao escárnio e ao ridículo; no tempo de Jesus, tal como hoje, dizer qualquer coisa que choque com as normas culturais predominantes atrairá, sem dúvida, a repreensão por parte daqueles que controlam as alavancas do poder.

“Ganha tudo quanto puderes, dá tudo quanto puderes, poupa tudo quanto puderes.”
(John Wesley, Fundador do Metodismo)

Vai e faz o mesmo: o que significa para nós hoje ?

O compromisso das Igrejas em serem solidárias com os mais fracos, os marginalizados e os vulneráveis é uma parte essencial da nossa fé.  E, no entanto, quando as Igrejas e os cristãos questionam a riqueza ou desafiam suposições sobre economia ou política, são muitas vezes ridicularizados. O que sabem os arautos de Deus afinal sobre o mundo real?
O que as igrejas sabem é a real experiência de vida das pessoas – nas nossas congregações e comunidades, de todos os espectros da vida. Velhos e novos, ricos e pobres, mulheres e homens. Pessoas cheias de fé e pessoas carregadas de dúvidas. Pessoas que são banqueiros e políticos, bem como desempregados e migrantes em situação irregular.
 
A Igreja da Escócia descreveu uma “guerra aos pobres” na qual os ricos e poderosos da nossa sociedade culpabilizam e estigmatizam as pessoas pobres. Esta guerra de propaganda é levada a cabo pelos média e pela classe política quando espalham mitos e mentiras sobre as causas da pobreza para justificarem cortes nos gastos e nas reformas da segurança social. A verdade é que não há nenhuma evidência para apoiar a ideologia que impulsiona estas reformas. É o retorno ao preconceito vitoriano de pobres “merecedores e não merecedores”.
O colapso do edifício de uma fábrica no Bangladesh o ano passado chamou a atenção de muitas pessoas e empresas para a extensão da dependência que as economias ocidentais têm da mão de obra barata de pessoas pobres no mundo inteiro. Enquanto estigmatizamos os pobres no nosso país conspiramos com a exploração social e económica de pessoas em muitos outros países. Isto chega às nossas vidas pessoais de muitas maneiras; onde são feitas as roupas que vestimos diariamente? A questão, quer no nosso país quer no estrangeiro, não é muito diferente da escravatura que as nossas igrejas combateram tanto tempo e tão dificilmente nos séculos XVIII e XIX.
 
Como consumidores podemos saber mais sobre as condições dos trabalhadores que fazem as nossas roupas e manufacturam o nosso hardware. Podemos depois decidir onde vamos comprar, ou não, essa particular mercadoria, ou fazer saber ao lojista a nossa opinião. Como investidores, individuais ou como parte de uma instituição como a Igreja, podemos perguntar mais sobre investimento ético para que o dinheiro da igreja não vá ajudar, por exemplo, fugas ao fisco e possa ser aplicado em empresas e companhias que contribuam para o bem comum.

“Quando dou comida aos pobres chamam-me de santo. Quando pergunto porque eles são pobres chamam-me de comunista.”
(Dom Hélder da Câmara, Arcebispo brasileiro católico romano) 

Questões

1.   Deus deu-nos a liberdade de escolhermos o que fazer com o nosso tempo, os nossos dons, habilidades e possessões. Qual a nossa relação com os dons que Deus nos deu?
2.   Alguém afirmou “o que possuímos pode vir a possuir-nos”. Que objecto tem tanto poder sobre nós que lhe sentiríamos mais a falta do que a qualquer outro? Tendo falado e pensado sobre isto faremos algo diferente?
3.   Quanta responsabilidade temos, como indivíduos e como membros de uma instituição, em descobrir, desafiar e questionar, pedir e actuar pela mudança?
4.   Na nossa vida quotidiana onde testemunhamos uma “guerra aos pobres” seja como vítima ou como autor involuntário?
5.   O que adquirimos no decorrer dos anos que nos torna mais infelizes ou nos dá problemas?
 

Acção

À luz do material estudado até agora nestas séries – como tratamos os outros na nossa sociedade, como gastamos o nosso dinheiro, como investimos a nossa energia – vamos eleger uma acção que possamos realizar de modo a fazermos a diferença.

Oração

Jesus, encontra-nos onde sentimos mais medo
no lugar onde o ridículo nos paralisa,
dentro das nossas mentes onde as mentiras são convincentes e a auto estima está ausente.
Aí, abençoa-nos com a segurança de que compreendes a nossa dor e lembra-nos que Tu experimentaste o ridículo para que possamos confiar novamente. Ámen.
 


SEMANA 5: Sacrifício

Discussão: O que sacrificam os outros por nós?

Nesta sessão esperamos reflectir sobre o convite de Deus a que façamos sacrifícios que expressem amor aos nossos vizinhos. Com as Parábolas da Ovelha Perdida e da Moeda Perdida encorajamos-vos a pensarem naquilo de que os outros desistem (talvez inadvertidamente) para que nós possamos ter roupas baratas e uma economia baseada no carbono.

Reflexão

Às vezes hesitamos em procurar uma maior intimidade com Deus com medo de que em troca Deus nos exija sacrifícios que não estamos dispostos a fazer. Olhem para Jesus, dizemos, nenhum homem nem mulher estiveram alguma vez mais próximos de Deus; Ele até Lhe chamava “Abba” – uma forma muito intima de chamar. E em contrapartida Deus exigiu-Lhe que sacrificasse a Sua vida.
O que tememos é que Deus nos ponha à prova para ver se somos merecedores da intimidade que procuramos requerendo de nós que assistamos impotentes ao sofrimento daqueles que amamos.
Se pararmos um pouco e considerarmos que imagem de Deus este medo retrata, perceberemos que não entendemos o amor de Deus nem o sacrifício que Jesus fez como Filho de Deus. Na realidade Deus não testa o nosso amor infligindo sofrimentos, a nós ou àqueles que nos foi dado amar.
 
Os sofrimentos da vida são simplesmente sofrimentos. As tragédias que todos experimentamos são simplesmente tragédias; nunca são obstáculos numa prova todo-terreno espiritual.
O sacrifício é um convite e nunca um teste de lealdade.
Todos temos prioridades que somos convidados a mudar ou a deixar morrer dentro de nós pelo gracioso convite de Deus. A alternativa é observarmos os outros a fazerem sacrifícios por nós, não por vontade própria mas por necessidade e sob coacção.
Pais que sacrificam a comida que poderiam plantar para alimentar os seus filhos para fazerem crescer os produtos para os mercados de luxo dos ricos.
 
Os habitantes de Tuvalu nos Mares do Sul sacrificam a sua terra ao mar invasor, vendo impotentes como a sua ilha submerge pela crescente subida dos níveis do mar causada pelas mudanças climatéricas.
Muito perto de nós, crianças sacrificam a sua infância para cuidarem de um pai ou de um irmão.
À luz dos sacrifícios que Jesus fez por nós, e dos sacrifícios que por nós fazem os nossos vizinhos próximos ou distantes, o que estamos nós preparados para abrir mão em prol dos outros?
Se a resposta for “nada” então Deus continuará a observar enquanto as pessoas e o ambiente são sacrificados a um deus que não é nem amoroso nem gentil, mas voraz e exigente; será Mamon o deus do qual todos deveriam ter medo de ser íntimos?

Leitura da Parábola Lucas 15,1-10 – As Parábolas da Ovelha Perdida e da Moeda Perdida

No Evangelho de Lucas estas histórias, juntamente com a do Filho Perdido (ou Pródigo), formam uma trilogia. À primeira vista parece que estas histórias são todas sobre a perda, impressão reforçada pelos subtítulos que estamos habituados a dar-lhes: Ovelha Perdida, Moeda Perdida e Filho Perdido (ou Pródigo).
A perda é claramente um elemento comum nestas histórias, mas em muitos aspectos não é o seu ponto principal. A conclusão paralela das duas primeiras histórias, que nos é contada de forma quase idêntica (comparem-se os versículos 5-7 e 9-10), enfatiza a alegria do dono quando encontra o que perdeu e a partilha dessa alegria com os outros.
Embora a maioria de nós nunca tenha perdido uma ovelha, todos já passámos muito tempo à procura de coisas: moedas, chaves ou telemóveis. Actualizando as parábolas poderemos pensar na nossa alegria quando encontramos, num computador, um documento crucial que pensávamos ter sido deitado fora e afinal tinha sido salvo!
 
Jesus contou estas histórias para ilustrar a importância que Deus dá a encontrar os que se perderam, aqueles que se desviaram, por vontade própria ou acidentalmente, e os esforços que faz para os recuperar.
Parte do nosso chamamento é discernirmos qual o significado de sacrifício na nossa própria vida. Tempos há em que Deus nos pode pedir que sacrifiquemos bens materiais; outros haverá em que somos convidados a sacrificar o nosso status. Poderá ajudar-nos muito se reflectirmos sobre se o sacrifício é uma perda para nós ou, em alternativa, um dom e/ou ganho para os outros.
Foi o amor de Cristo pelos outros que o levou a sacrificar tudo. Paulo lembra-nos na sua carta à Igreja em Filipos que Ele se “privou do que era seu e tomou a condição de escravo,… humilhou-se a si mesmo, obedecendo até à morte, e morte na cruz.” (Fl 2,7-8)

 “Se eu fosse o mundo lhe ofertar,
  Ele o iria desprezar.
  Seu grande amor vem requerer,
  Minha alma, a vida e todo o ser.”
(Isac Watts, Hino «When I survey the wondrous cross») 

Vai e faz o mesmo: o que significa para nós hoje

Frugalidade é uma palavra raramente ouvida nas igrejas nos nossos dias. Os escoceses costumavam descrever-se como um povo frugal. Principalmente significava ser cuidadoso com o dinheiro. Mas tem um significado mais vasto. Significa ser cuidadoso com todos os recursos e usá-los com sabedoria.
O termo moderno que lhe equivale é mordomia. Mordomia diz respeito ao uso dos nossos dons com sabedoria. É muito comum olharmos em volta, para as nossas vidas e as dos outros, e vermos dons serem desperdiçados. Inventámos meios de fazer as coisas que são um enorme desperdício.
Neste processo demos autoridade a empresas e companhias cujo cuidado com a ecologia tem sido mínimo e cujas actividades têm devastado grandes extensões da Terra.
Ingenuamente assumimos que os decisores nos governos e na indústria actuarão no melhor dos interesses para todos nós e em todos os tempos. Eles, pelo seu lado, têm somente actuado muitas vezes no melhor interesse, de curto prazo, deles próprios.
Somos chamados a viver as nossas vidas na completa imitação da vida de Cristo. Ele escorraçou do templo os cambistas. Temos de fazer o mesmo.
 
Para Jesus o templo era um espaço público e tinha-se tornado “uma caverna de ladrões” (Mateus 21,12). Tem havido nos anos recentes a preocupante tendência de expulsar do espaço público aqueles que professam o seu cristianismo. Temos de combater a nossa aceitação passiva desta realidade e reclamar o nosso lugar no espaço público. Devemos combater a apatia e a indolência, tanto nos nossos concidadãos como nos nossos corações. Sabemos que as pessoas nas nossas democracias têm o poder e a habilidade de mudar as coisas, ainda que muitas vezes tenhamos dificuldade em articular o que desejamos, para fazer ouvir as nossas aspirações.
A nossa imitação de Cristo tem de tornar-se mais activa, mais participativa, mais cristã. Tal como o pastor procurou a sua ovelha, e a mulher a sua moeda, nós temos de procurar, dando do nosso tempo e dons ao bem comum.

Questões

1.   O que podemos fazer como indivíduos e como igrejas de forma a assegurar que os nossos princípios e valores cristãos são reflectidos nas políticas públicas/governamentais?
2.   A Comissão da Verdade para a Pobreza da Escócia falou do envolvimento de todos nas decisões que os afectam, usando o lema “nada sobre nós sem nós é para nós”. Como poderão os cristãos trabalhar tanto para criar um espaço seguro para aqueles que normalmente falam para ouvir, e um lugar em que possam falar aqueles que raramente são ouvidos?
3.   Como passariam a ser as nossas vidas se a frugalidade se tornasse o nosso princípio orientador?
4.   Mordomia tem sido definida como o cuidado com algo que nos é confiado por outro. Como temos nós honrado esta confiança?

Acção

Como podemos, como comunidade cristã, participar consistentemente em algo que demonstre publicamente o nosso compromisso com a inclusão para todos e reflicta a nossa preocupação pela justiça?

Oração

Jesus, encontra-nos na noite chuvosa e escura,
no lugar onde não conseguimos regressar a casa,
perturbados, exaustos e abandonados.
Aí, abençoa-nos com o conhecimento do Teu Amor
e mostra-nos, através do Teu olhar, que cada sacrifício que por nós fizeste foi porque achaste que valíamos a pena. Ámen.


SEMANA 6: Transformação

Discussão: Um mandamento novo

A sessão desta última semana antecipa a manhã da Páscoa. Mudança, crescimento, renovação são os motivos da Igreja nesta época do ano. Reflictamos sobre a nossa esperança em que possa haver um futuro melhor e mais brilhante para toda a humanidade. Pensemos naquilo que poderemos fazer para tornar esta esperança uma realidade para aqueles que estão presos numa pobreza incapacitante ou numa riqueza estranguladora.

Reflexão

Deus ressuscitou Jesus dos mortos.
Contra todas as probabilidades e expectativas.
Ninguém conseguiria predizer aquela primeira manhã de Páscoa. Jesus tinha morrido, tinha sido maltratado, tinha vertido o Seu sangue, a esperança esvaíra-se, parou de respirar e entregou o Seu espirito a Deus.
Os céus choraram e o silêncio tomou conta de tudo.
A escuridão desceu sobre a terra.
E então Deus falou, a Palavra de transformação.
A Luz amanheceu, num novo dia.
De repente, há uma nova história para ser contada: de como o amor pode transformar até a mais negra das experiências. A própria morte deve ceder e as recriminações murcharem à luz da ressurreição, de Jesus libertado do túmulo.
Como entendemos o sentimento de se ser ressuscitado da morte?
Imaginem que acordam com o súbito conhecimento de como resolver a crise económica global para sempre. Saberiam como transformar o mundo para que todos tivessem o suficiente para o seu sustento e um emprego significativo que lhes permitisse perspectivar um futuro. A quem contariam primeiro? Provavelmente à pessoa que nos está mais próxima, porque como poderíamos guardar para nós tão maravilhosa notícia? Depois contaríamos àqueles com quem temos trabalhado e cujos esforços ajudaram àquela maravilhosa descoberta. Como contaríamos àqueles que tem prosperado sob o velho sistema? Como alertaríamos os lideres mundiais cuja responsabilidade seria implementar a nossa solução? Estes dois últimos grupos certamente mandar-nos-iam para casa pensar melhor no assunto.
 
Será necessário um plano para que a boa nova sobre a libertação da escravatura económica não seja rejeitada.
Jesus libertou-se do túmulo para que possamos libertar-nos dos nossos.
Assim uma nova vida pode permitir banir todas as recriminações por lesões passadas e presentes.
Jesus diz-nos que o amor transforma até a morte. Poderá certamente transformar a vida, e, na vida, os sistemas económicos e políticos que os homens e as mulheres criaram, veneram e dos quais se tornaram escravos. Isto, tal como a pedra removida à entrada do túmulo, deve permitir o florescer de uma nova vida que faça acontecer a transformação do mundo.

Leitura da Parábola de Lucas 10,25-37 – A Parábola do Bom Samaritano

Na Parábola a pergunta “que devo eu fazer para ter direito à vida eterna?” é feita pelo doutor da lei, mas não recebe uma resposta, tão somente outra pergunta – “que diz a Escritura?” Jesus conhecia a religião de aparência. Caricaturava-la com imagens de pessoas a rezar pelas esquinas das ruas, a andar pelas ruas de túnica e a fazerem perguntas só para mostrarem o seu próprio conhecimento. Nesta história, Jesus destrói qualquer sentimento de auto importância remetendo o doutor para a Lei.
Este faz-Lhe então uma segunda pergunta “E quem é o meu próximo?”, pois queria “justificar-se” (versículo 29). Jesus não lhe responde directamente, em vez disso, conta a Parábola do Bom Samaritano.
Os seus ouvintes conhecem então a infeliz vítima de assalto na perigosa estrada para Jericó. Conhecem o sacerdote e o levita, vinculados às leis religiosas que lhes não permitem tocar num corpo que suspeitam pode estar morto. Suspiram ao ver entrar em cena o Samaritano: um homem a quem os ouvintes de Jesus teriam injuriado.
 
Foi o Samaritano que praticou o amor ao próximo e a misericórdia. Ele sabia que não poderia fazer tudo, mas também não queria uma relação duradoura com este homem. No entanto a sua ajuda não foi um compromisso de curto prazo. O Samaritano ajudou a salvar a vítima, tratou-o, levantou-o e levou-o à ajuda de que ele precisava. A sua promessa de que voltaria para pagar qualquer gasto do dono da pensão mostra-nos que ele seguiria o processo, para se certificar de que tudo correria bem.
Jesus pede, então, ao doutor da Lei que identifique o “próximo do homem assaltado pelos ladrões”. Na resposta vemos o papel da Igreja. A Igreja não precisa de ser especialista, não precisa de ser o melhor fornecedor de serviços, mas pode ajudar as pessoas a obterem o apoio de que necessitam.
 
A história ilustra o poder transformador do amor e da misericórdia quando praticadas por pessoas comuns.
A vizinhança pode transformar o mundo.
Jesus mostra-nos que os nossos vizinhos não são sempre pessoas com quem achemos que é fácil relacionarmo-nos. São muitas vezes pessoas com quem temos dificuldade em darmo-nos. Tal como Deus não espera que sejamos bons para se aproximar de nós em amor, assim precisamos de mostrar amor, compaixão e cuidado para com aqueles em necessidade, independentemente de gostarmos ou não deles ou de serem pessoas como nós.

Vai e faz o mesmo: o que significa para nós hoje

Qualquer olhar rápido para as revistas numa banca de jornais mostra-nos que vivemos numa cultura de celebridades, na qual o estilo de vida das celebridades é mais valioso que qualquer outro. Ao fazermos “zapping” por dezenas de canais de TV perturba-nos o foco que é dado aos bens materiais, à propriedade, à riqueza e ao glamour. A ética cristã já não é mais a norma mas sim profundamente contra-cultural.
Uma sociedade que parece encorajar um estilo de vida que não é do interesse de todos dificilmente permite às pessoas pensarem de onde vêm as suas roupas ou o estrago ecológico que é causado pelo desnecessário tráfego aéreo.
É difícil escaparmos destas influências culturais. Rodeiam-nos por todos os lados. Estas influências levam-nos também a pensarmos mais em nós próprios como indivíduos em vez de partes de uma família, comunidade ou nação. Levam-nos também a pensar nas outras nações como países completamente estrangeiros em vez de partes de uma comunidade de nações. E este tipo de cultura torna-nos difícil viver uma relação correcta com Deus.
 
Tudo isto deve levar-nos a pensar de um novo ângulo em como estamos a viver as nossas vidas, as coisas que valorizamos, as instituições em que podemos confiar e o código moral que deve dirigir os nossos passos.
A mudança não será fácil. Requererá que abramos mão de algumas coisas. Obrigar-nos-á a aceitar coisas novas. Teremos de reaprender algumas das lições da nossa juventude. Mas acima de tudo exigir-nos-á que procuremos o amor de Deus nas nossas vidas e nas vidas daqueles que nos rodeiam.
E quando o descobrirmos deveremos agarrá-lo e partilhá-lo com os outros, para que nós, nas nossas igrejas, possamos ser um foco nas nossas comunidades para tudo o que é bom na vida.
Como cristãos temos o potencial de fazer a diferença no nosso mundo. Cada novo dia é uma dádiva de amor, do autor do amor, para nós e para os nossos vizinhos próximos ou longínquos. A manhã de Páscoa é uma alegre garantia da habilidade do amor em triunfar sobre o medo, se tão somente sairmos do seu túmulo.

Questões

1.   Quais os primeiros passos que devemos dar para sairmos da indolência e da impotência para a alegria da ressurreição e para a transformação? Como dar esses passos?
2.   Ao longo deste percurso quaresmal que ideias mais nos surpreenderam e/ou desafiaram? Poderemos escrevê-las.
3.   Como poderão estas ideias ser indicadores ou focos de transformação para cada um em particular e para todos como comunidade cristã?
4.   De que forma a transformação ajudou o nosso mundo a tornar-se mais justo e igualitário? Como poderá fazê-lo no futuro?

Acção

A história do Bom Samaritano une actos tanto de caridade como de justiça. Somos desafiados a fazer o mesmo. No contexto em que nos encontramos como poderíamos ser nós os bons samaritanos? Por exemplo, se a vossa igreja suporta um banco alimentar, pensem não em como fazer doações ou voluntariar tempo, mas em como rectificar o sistema, seja ele qual for, em vigor que faz com que as pessoas tenham de recorrer em primeiro lugar aos bancos de alimentos.
Quem são os estrangeiros e os marginalizados à nossa volta? Como nos aproximamos deles, criamos relações e lhes oferecemos caridade e justiça? Poderá ser uma pequena coisa mas que poderá fazer a grande diferença na vida de alguém.

Oração

Jesus, encontra-nos nos nossos caminhos,
no lugar onde nos achamos os melhores
ao querer responder aos necessitados, mas não sabendo como.
Aí, abençoa-nos com compaixão e um fogo nos nossos corações
para que vejamos que só temos uma opção – dar a volta e ser transformados. Ámen.

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