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Tempo da Epifania
Eu vou convidar….!
 

A encarnação de Deus, em Jesus Cristo, expressa a Sua iniciativa amorosa, que se propõe a cada pessoa, respeitando plenamente a liberdade humana. Deus não se impõe antes propõe-se. Deus veio para ser acolhido livremente e não para determinar comportamentos ou atitudes previamente definidas. Maria, a Theotokos, ou seja, «a portadora do menino», expressa bem esta atitude livre e responsável quando diz: «Servirei o Senhor como ele quiser. Seja como tu dizes» (Lucas ,38). O Sim de Maria é o Sim humano a um convite e a uma proposta que vai para além do nosso entendimento. Uma proposta feita em plena liberdade, mas que requer a nossa livre adesão. Tal como solicita o nosso Sim, Deus também respeita o nosso Não e só deste modo se compreende e vive a relação de Amor a que somos chamados.

É a este quadro e a esta luz, que percebemos as narrativas do nascimento e infância de Jesus, revividas com alegria e emoção em cada Natal. Todos os intervenientes humanos, que as mesmas nos apresentam e descrevem, não são meras personagens de um guião previamente escrito, mas antes a imagem de uma humanidade, chamada a participar ativamente num projeto novo e libertador. José, Maria, os pastores e os Reis Magos, colocam-se livremente ao serviço deste projeto novo. Herodes e os poderes políticos e religiosos instituídos, recusam-no. O poema-prólogo do Evangelho de S. João descreve bem esta recusa quando refere: «Veio para o seu próprio povo, que não o quis receber.» (João 1, 11). Simeão com o menino Jesus nos braços profetizou: «Ele é sinal de divisão entre os homens, para revelar os pensamentos escondidos de muitos» (Lucas 2, 34).

A vinda de Deus requer, pois, um acolhimento e um posicionamento individual perante Jesus. Tratando-se de uma proposta universal, a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo, implicam toda a humanidade, dado que a todos se destina sem exceção de raça, cultura ou condição social. S. Paulo expressa esta universalidade quando refere: «o plano consiste em que pela Boa Nova de Jesus Cristo e em união com ele, os não judeus têm parte na mesma herança, são membros do mesmo corpo e participam da mesma promessa» (Efésios 3,6). Mas a universalidade da proposta não dispensa nunca e nunca poderá ultrapassar a individualidade da resposta.

A realidade perante o contexto social e cultural em Portugal é a de que existe hoje e principalmente nas novas gerações, um desconhecimento profundo da pessoa de Jesus Cristo. Ele veio e está, mas muitos e muitas não O conhecem, inclusive entre aqueles que já foram batizados. Muitos estão inquietos e desejam algo mais para as suas vidas. Buscam um sentido e propósito para o seu caminhar. Fazem-no de uma forma honesta e muitas vezes sofrida. São como que os Reis Magos, mas sem uma estrela que os oriente. Ou então, são como Zaqueu, que subiu à árvore esperando ansiosamente um convite para dela descer e desse modo poder abrir as portas da sua casa e da sua intimidade.

Cabe-nos a nós enquanto Igreja, corpo de Cristo, e na ação do Espírito Santo, ser luz e sinal para os que andam «perdidos nas trevas» de forma a que cheguem a Jesus Cristo. Tal é o desafio e a proposta que a Festa da Epifania que hoje celebramos nos propõe.

Pela graça de Deus, tenho verificado que muitos e muitas têm chegado recentemente às nossas comunidades, respondendo a um convite personalizado que lhes foi dirigido, por um membro da Igreja; Carolina, Beatriz, Filipe, Laura, Joelma, Maria José, Delrymar, Luís, Manuela são, entre outros, frutos desse convite e são hoje uma presença que enriquece as nossas comunidades. A experiência pastoral tem-me revelado que uma das formas mais efetivas de dar a conhecer Jesus Cristo é através de um testemunho pessoal, de fé e de vida, que naturalmente vai integrar um convite e uma proposta para uma vivência e um conhecimento de Jesus, no seio da Igreja, enquanto Corpo de Cristo.

A Boa Nova do Natal e da Epifania que celebramos e sempre aquece e renova o nosso coração, não pode egoisticamente ficar retida para mim ou apenas para meu belo deleite. Os pastores depois de verem Maria, José e o menino deitado na manjedoura «puseram-se a contar a toda a gente o que lhes tinha sido dito a respeito daquele menino» (Lucas 2,17). Tal como eles, também cada um de nós é chamado a anunciar Jesus e a convidar outros e outras para irem à Igreja, a manjedoura do nosso tempo! A oportunidade para que tal aconteça irá surgir naturalmente no dia a dia e caminhar de cada um; junto da família, no trabalho, junto dos amigos e conhecidos ou até perante aqueles que não conhecemos e que Deus coloca no nosso caminho. Muitos e muitas, esperam há muito, por este convite que a nossa inibição e temor tem vindo a adiar. Necessitam tal como os Magos de uma estrela que se faça presente no seu caminhar de vida.

Muitas oportunidades de evangelização foram perdidas não pela indiferença dos outros, mas sim pela nossa própria indiferença em os convidar e em os acolher. Se nas nossas comunidades, cada membro fizer um simples convite por mês, no final do ano teremos milhares (!!!) de convites realizados pessoalmente e num contexto de confiança, disponibilidade e acompanhamento. Cabe-nos não só louvar como anunciar! Não só celebrar como saber convidar e integrar! Cabe-nos intencionalmente assumir a nossa condição de discípulos de Jesus .... convidando intencionalmente! Fazê-lo genuinamente e de coração!

No inicio de um novo ano de Missão, o ano de 2021, e no contexto da Década do Discipulado Intencional que estamos a viver, sinto que Deus nos chama a desenvolver esta campanha de Evangelização: «Eu vou convidar ... »

Vamos, pois, trabalhar juntos para que tal assim aconteça! Que assim seja.

+ Jorge, Epifania de 2021

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