MbWay - 963 037 073  Facebook      

 
 
Text Here

Download PDF

COMENTÁRIO BÍBLICO 
3º Domingo Comum – Ano C
23jan2022

Neemias 8,1-4a.5-10; Salmo 19,7-14; 1 Coríntios 12,12-31
 
S. Lucas 4,14-21

14Jesus voltou para a Galileia conduzido pelo Espírito Santo. A sua fama espalhou-se por toda aquela região. 15Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.
16Foi em seguida para Nazaré, a terra onde se tinha criado. No sábado foi à sinagoga, como era seu costume, e pôs-se de pé para ler as Escrituras. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Ele abriu-o e encontrou o lugar onde estava escrito assim:
18«O Espírito do Senhor tomou posse de mim, por isso me escolheu para levar a boa nova aos pobres. Enviou-me para anunciar a libertação aos prisioneiros, para dar vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos 19e para proclamar o tempo favorável da parte do Senhor.»
20Depois Jesus fechou o livro, devolveu-o ao encarregado e sentou-se. Ficaram todos com os olhos fixos nele. 21Jesus começou então a dizer-lhes: «Esta parte da Escritura que acabaram de ouvir cumpriu-se hoje mesmo.»
 
1. O Evangelho de hoje surge-nos como uma página inaugural de algo de novo a acontecer: o sentido e a substância da pregação de Jesus. Numa palavra, o Seu Plano Messiânico. Não é um mero projeto a realizar nem uma narrativa poética com uma mensagem de consolação. É, isso sim, a expressão da vontade de Deus em querer estabelecer uma aliança eterna com o Povo de Israel (Isaías 61, 1-2). É, portanto, uma palavra e um desígnio que vêm de longe. Jesus, ao ler na sinagoga aquela palavra do Profeta Isaías, apresenta-se como o Messias que Israel esperava e que agora aconteceu: “Esta parte da Escritura que acabaram de ouvir cumpriu-se hoje mesmo”. Como se pode ainda duvidar que Jesus veio para trazer o Evangelho aos ‘pobres’ (curar os de coração ferido – conforme a versão dos LXX), anunciar a libertação aos prisioneiros, dar vista aos cegos e libertar os oprimidos, e proclamar o tempo da misericórdia divina?
Quando temos presente a resposta de Jesus ao jovem rico que seguia todos os mandamentos e queria saber o que devia fazer para ganhar a vida eterna: “Vai vende tudo o que tens e dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me” (S. Marcos 10, 17-22); o elogio à pobre viúva que colocou duas pequenas moedas no gazofilácio do tesouro do Templo, pois, “ na sua pobreza depositou tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver” (S. Lucas 21. 2-4); ainda, a resposta de Jesus aos discípulos de João que O procuraram para saber quem era: “aos pobres é anunciada a Boa Nova”;percebemos que a preferência e “o zelo para com os pobres é uma das prioridades dos primeiros cristãos recebida de Jesus”[i].

2. Temos de ser sinceros. Aquela resposta de Jesus ao jovem rico soa aos nossos ouvidos como uma nota dissonante “Vai vende tudo o que tens e dá o dinheiro aos pobres“. E já nem lemos o resto da frase. Sabemos bem da nossa tendência para nos apegarmos ao que temos, pouco ou muito, e o medo que nos assalta quando nos desfazemos dos nossos bens, mesmo que insignificantes. Por outro lado, é geral a nossa tendência para estar do lado dos ricos seja a sua riqueza de natureza material, cultural ou espiritual. Isto é, “temos medo de nos convertermos e de acreditar no Evangelho”.[ii]Ora, a preferência pelos pobres, na diversidade das suas necessidades, impõe-nos que aceitemos o convite de Jesus para reavaliarmos o valor que damos ao que tanto estimamos e desejamos, colocando-nos inteiramente nas mãos de Deus, criador e Pai. Só assim, dispostos a confiar totalmente em Jesus e na Sua palavra poderemos libertar-nos de outros pesos que nos oprimem para ajudarmos os que precisam com humildade e misericórdia. É o que sobressai da atitude da viúva pobre ao colocar no tesouro “tudo o que tinha, todo o seu sustento”.
Então, este Evangelho cumpre-se hoje mesmo. Aquelas palavras lidas por Jesus na sinagoga conservam uma permanente atualidade, podendo ser aplicadas aos dias de hoje e praticadas no presente. Precisamos de ser persistentes pedindo a Deus a Sua força e a graça do Espírito Santo para nos convertermos a Jesus, Senhor e Salvador, e acreditar no Evangelho a fim de nos libertarmos das escravidões da nossa vida e ficarmos livres para ser testemunhas do amor de Deus no mundo.

3. Está a decorrer a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos cujos tema e textos preliminares, este ano, foram preparados pelo Conselho das Igrejas do Médio Oriente, com sede em Beirute, no Líbano. Escolheram para tema “Vimos a sua estrela no Oriente e viemos honrá-lo” (Mat. 2,2), glosando o episódio dos Magos. O texto de Introdução ao Tema começa:
“De acordo com o Evangelho de Mateus (2: 1-12), o aparecimento da estrela no céu da Judeia representa um sinal de esperança há muito aguardado e que leva os magos, e na verdade todos os povos da terra, ao lugar onde o verdadeiro rei e Salvador é revelado. Esta estrela é um dom, uma indicação da presença amorosa de Deus para toda a humanidade. Para os magos, foi um sinal de que um rei tinha nascido. Com os seus raios de luz, ela conduz a humanidade para uma luz maior, Jesus, a nova luz que ilumina cada pessoa e que nos conduz à glória do Pai e ao esplendor que ela irradia”. 
E termina:
“Depois de encontrar o Salvador e adorá-lo juntos, os magos voltaram aos seus países por um caminho diferente, tendo sido avisados num sonho. (…) Viajar por novos caminhos é um convite ao arrependimento e renovação das nossas vidas pessoais, das nossas igrejas e das nossas sociedades. (…) Servir o Evangelho hoje requer o compromisso de defender a dignidade humana, especialmente doa mais pobres, dos mais fracos e marginalizados. Exige das igrejas transparência e responsabilidade no trato com o mundo e umas com as outras. Isso significa que as igrejas precisam cooperar para fornecer alívio aos aflitos, acolher os deslocados, aliviar os sobrecarregados e construir uma sociedade justa e honesta. (…) O novo caminho entre as igrejas é o caminho da unidade visível que buscamos sacrificialmente com coragem e audácia para que, dia a pós dia, ‘Deus seja tudo em todos’ (I Cor 15, 28)”.

+ Fernando
Bispo Emérito da Igreja Lusitana


[i] James D. G. Dunn, “Jesus segundo o Novo Testamento”, PAULUS Editora, 2021, pg.19
[ii] Carlo Maria Martini, “Tomados de Assombro”, Paulinas Editora, 2013, pg. 59
 
 
 
Cookies user preferences
We use cookies to ensure you to get the best experience on our website. If you decline the use of cookies, this website may not function as expected.
Accept all
Decline all
Unknown
Unknown
Accept
Decline
Analytics
Tools used to analyze the data to measure the effectiveness of a website and to understand how it works.
Google Analytics
Accept
Decline
Save